Institucional
Independência não se conquista uma vez: a capoeira brasileira escreve seu próximo capítulo
Por Saverio Scarpati — Presidente da Confederação de Capoeira do Brasil

A independência não é uma conquista que acontece uma vez e pronto. Ela precisa ser construída, protegida e avançada — todos os dias. E o próximo capítulo da independência brasileira tem nome, ginga e berimbau: chama-se capoeira.
O novo significado de independência
Neste 7 de setembro, a reflexão que precisamos fazer vai além do Grito do Ipiranga. Há uma outra independência em jogo — aquela que um povo constrói no dia a dia, ocupando novos espaços sem abandonar suas raízes.
Para a capoeira, essa jornada passa por grandes eventos esportivos, pelo mercado, por patrocinadores, pela televisão, pelo streaming e pelos grandes veículos de comunicação. Mas não é só isso. Passa também por uma parceria cada vez mais madura com o Estado brasileiro — por políticas públicas que façam recursos, equipamentos, formação e oportunidades chegarem de verdade aos capoeiristas.
Porque o tamanho da capoeira não cabe em uma única definição. Ela é cultura. É instrumento social. É esporte. É Brasil.
Raízes fortes, copa livre para crescer
Conquistar o reconhecimento do mercado e do Estado não é um objetivo que exclua a ancestralidade — muito pelo contrário. Quando esses caminhos são bem construídos, a capoeira amplia oportunidades para mestres, atletas e famílias; fortalece instituições e estruturas de governança; forma atletas com padrão técnico e ético de excelência; gera trabalho e renda real para toda a cadeia; e permite que alguém olhe para a capoeira e diga: “Eu posso construir a minha vida aqui.”
A metáfora é precisa: a árvore que cresce é aquela que tem raiz forte. Avançar nunca significa deixar as raízes para trás — significa dar à capoeira a liberdade para crescer exatamente porque sua base está firme.
Uma geração que quer espaço — e já avisou
Talvez essa seja a grande responsabilidade da nossa geração: fortalecer as raízes para que a próxima possa alcançar os galhos mais altos.
Preservar a ancestralidade, honrar quem construiu tudo isso — mas também olhar para quem está chegando. A nova geração já deixou muito claro o que quer; é só ouvir: querem competir, querem trabalhar, querem construir carreira, querem sonhar grande.
E quando uma geração inteira quer sonhar assim, independência ganha seu significado mais profundo: ser sujeito da própria história.
O 7 de setembro que celebramos
Nesta data, celebramos a independência que honra de onde viemos, fortalece quem somos e dá liberdade à nova geração para decidir onde quer chegar. E que seja do tamanho do sonho deles.
Viva a independência do Brasil. E viva essa nação capoeira.
Por Saverio Scarpati
Confederação de Capoeira do Brasil
